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24 de março de 2026

Movimento suspeito antecipa fala de Trump e levanta alerta no mercado

ECONOMIA TRUMP 24/03/2026 13:58

Operações bilionárias com ações e petróleo ocorreram minutos antes de anúncio sobre conflito, levantando suspeitas de informação privilegiada. Após declaração, preços despencaram e investidores lucraram com a volatilidade global.

Movimentações atípicas no mercado chamaram a atenção de investidores pouco antes de um anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Cerca de 15 minutos antes de ele divulgar a suspensão de ataques a instalações energéticas, foram registradas operações de grande volume, levantando suspeitas de possível uso de informação privilegiada.

 
 

Dados analisados pela BBC indicam que, nesse curto intervalo, foram comprados cerca de US$ 1,5 bilhão em contratos futuros do S&P 500 e vendidos aproximadamente US$ 192 milhões em contratos futuros de petróleo. Segundo a CNBC, essas ordens foram de quatro a seis vezes maiores do que o padrão habitual para aquele momento do dia, sem que houvesse qualquer notícia pública que justificasse o movimento.

 

Após o anúncio de Trump, o mercado reagiu imediatamente. As declarações do presidente, que falou em “conversas muito boas” com autoridades iranianas, sinalizando uma possível redução das tensões, provocaram uma forte queda nos preços do petróleo.

 

Mesmo com a negativa do Irã sobre qualquer negociação, o mercado interpretou as falas como um indicativo de desescalada no conflito. Com isso, investidores correram para vender contratos e realizar lucros, o que ampliou a queda das cotações.

O barril do Brent, referência internacional, caiu mais de 10% e fechou a US$ 99,94. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuou 10,28%, a US$ 88,13. Em determinados momentos do dia, as perdas chegaram a ultrapassar 14%.

A volatilidade ocorre em meio a um cenário de forte tensão geopolítica. O conflito no Oriente Médio tem impactado diretamente o mercado de energia, especialmente por causa do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Segundo o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, a crise já representa uma redução de cerca de 11 milhões de barris por dia na oferta global, superando o impacto combinado das crises do petróleo da década de 1970.

 

Especialistas alertam que uma escalada mais intensa poderia levar o preço do petróleo a níveis próximos de US$ 150 por barril, com efeitos significativos para a economia global. Ao mesmo tempo, a recente queda das cotações reflete o alívio dos investidores diante da possibilidade de redução das tensões.

Ainda assim, analistas destacam que o cenário segue incerto. Apesar das sinalizações de Trump, operações militares continuam em andamento, e o Irã nega qualquer negociação. Para o mercado, uma estabilização real dependerá da normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e da recuperação das infraestruturas energéticas afetadas, muitas das quais sofreram danos significativos nos últimos ataques.

Além disso, países importadores já começaram a utilizar reservas estratégicas, o que pode manter a pressão sobre a demanda e os preços mesmo em caso de trégua. 


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